Agora, nada.
A vida vai seguir como sempre seguiu, com dores e alegrias, altos e baixos.
O filho ou filha vai continuar nessa condição de filho ou filha, com sua vida, seus problemas pessoais, seu trabalho, seu estudo, seus relacionamentos, seus sonhos. E sua participação na família.
Ele ou ela não mudou, só sentiu necessidade de falar de sua orientação sexual com a família.
Quanto à família, pode agir de diferentes formas.
Se o relacionamento familiar era bom antes da “revelação”, vai continuar assim.
Se era ruim, vai permanecer sendo.
Se era hipócrita, em que o filho ou filha só recebia elogios e de repente não pode mais entrar em casa… talvez essa seja a família que sofra uma grande mudança.
Mas cada familiar tem de pora mão na consciência e responder
— se não sabia porque fingia ou porque não queria saber.
— se sentia um amor fingido ou verdadeiro.
— se preferia mesmo afastar-se por razões morais/religiosas ou fez porque tinha receio do que “os outros” iam falar.
A maioria das famílias amorosas leva uma balançada, ao ter de reformular o rumo da vida familiar.
Mas nada que conversas sem medo e esclarecedoras não possam resolver.
Vai aceitar, por exemplo, a ideia de haver um outro noivo ou outra noiva no altar.
Vai aprender a calar os comentários de quem não tem nada o que fazer e, muito menos, o que ver com a situação.
Vai unir forças contra todas as formas de preconceito e discriminação, que levam à destruição emocional ou mesmo à morte.
Uma vez, um pai comentou comigo que só ficava triste porque queria ter netos e, tendo um genro em vez de nora, isso era impossível.
Na época, pouco se discutiam esses temas.
Só respondi que ele tinha dado uma educação maravilhosa para o filho.
A criança adotada pelo rapaz e seu companheiro seria o(a) neto(a) desejado – e muito abençoada por entrar em uma família tão amorosa.
Casamento gay; adoção de crianças ou geração por comum acordo do casal; lutas por leis contra assédio e bullying estão na ordem do dia.
Junto com outros indicadores, mostram a vida que segue seu curso, por ser exatamente isso:
Vida.